Tuesday, March 10, 2009

É o Willm Shaksp, podes crer.





De Marilyn Monroe e James Dean às estrelas e astros de novelas globais, sem falar em cantantes pops dos mais variados gêneros, é sabido que servem de modelo físico para ampla gama de admiradores. Vestem-se como eles, penteiam-se como eles, provavelmente sonham que são eles. Mas o que dizer dos escritores, geralmente gente feia e arredia, por vezes suja e mal asseada?
Bem, se tal escritor é o velho Shakespeare, a coisa é a mesma. Não por parte das pessoas, mas dos retratos, embora sejam as pessoas que "ajeitam" tais retratos. Gente absolutamente anônima, ainda mais anônima pela passagem de alguns séculos desde que suas feições foram fixadas na tela, de repente vira Shakespeare. E o retrato, claro, passa a valer uma nota!
É o que assegura Charlotte Higgins, blogueira do The Guardian, sobre o retrato acima, conhecido "retrato Cobbe". O mesmo quanto a um retrato muito semelhante, conhecido como "retrato Janssen", que também recebeu uma photoshopada avant la lettre para se parecer com o Bardo. Ou, na expressão usada pela autora, foi "doctored to look like Shakespeare".
Qual seria a verdadeira cara do noveleiro do tempo da primeira Elizabeth? Ninguém sabe, asseguram os que sabem, como o autor estadunidense Bill Bryson, que escreveu um livro chamado Shakespeare - dos oito aos oitenta. O Bill nãolivra a cara de nenhuma das imagens, mas concorda que o aspecto mais provável do poeta seria o fixado na gravura feita por Martin Droeshout, em 1623 (acima). Aliás, segundo o Bill, nem mesmo o nome de Shakespeare é muito confiável, visto que já foi grafado como Willm Shaksp, Willm Shakespere, Wm Shakspe e, claro, William Shakespeare. Escolha o que lhe parecer melhor. Mas que ele era feinho, era...

Tuesday, February 10, 2009

Um ateu passeando na floresta

Minha religião, claro, é a Grega Clássica. Mas, como tenho grande simpatia pelos ateus e cultivo a prudência pela graça da Divina Palas Atena, contarei aqui uma parábola, para que aqueles se acautelem em seus negócios com os exóticos deuses vindos do Oriente.

Um ateu passeando na floresta
Um ateu passeava pela floresta e se maravilhava com a paisagem: “Que árvores magníficas! Que rios caudalosos! Que belos animais!” – dizia ele para si mesmo.
Quando bordejava a margem de um rio, ouviu um barulho no mato atrás dele. Voltou-se rápido e deu de cara com um urso pardo de dois metros de altura investindo em sua direção.
Saiu correndo que nem um louco, mas toda vez que olhava por cima do ombro via o urso cada vez mais próximo. De repente, tropeça e cai. Vira-se rapidamente, apenas para ver o urso saltando sobre ele, já preparando o golpe da pata que o mataria. Ele então grita: “Ó, meu Deus!”
Para o tempo. O urso congela seu movimento. A floresta fica absolutamente silenciosa.
Uma luz brilha sobre o homem e uma voz se faz ouvir dos céus: “Você negou minha existência por todos esses anos, convenceu os outros de que eu era uma fantasia, atribuiu a criação a um acidente cósmico. Você espera que eu o ajude apenas por causa deste grito? Devo eu considerá-lo um crente?”
O ateu olha direto para a luz e diz: “Bem, seria hipocrisia de minha parte se quisesse, de repente, ser tratado com um cristão, mas o senhor não poderia transformar o urso em cristão?”
“Tudo bem” – diz a voz. A luz desaparece. Os sons da floresta voltam. O urso interrompe o golpe, junta as duas patas dianteiras, abaixa a cabeça e fala:
“Senhor, abençoe este alimento que estou a ponto de ingerir, pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, amém.”

Tuesday, January 20, 2009

Cérebro fofinho?

Ela se chama Karen, é psiquiatra e trabalha no Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas, em Massachusetts. Não ficou esclarecido se pesquisando ou tratando dos pesquisadores. Só que ela conseguiu superar, de uma só tacada, todos os economistas da casa, ao produzir algo bem mais inútil do que uma pesquisa econômica (o que, convenhamos, é mais que difícil): um cérebro de tricô.
Multicolorido, provavelmente fofinho, anatomicamente realista - garante ela - e completamente inútil, é, portanto, coisa que devemos louvar: não faz mal a ninguém, ao contrário da maioria das coisas úteis que o ser humano produz. Pelo contrário, diverte.
Karen afirma que o sucesso obtido com o cérebro a deixou animada para tricotar outros órgãos. A julgar pela aparência claramente fálica da obra em exposição, ainda que não erecta, infantil mesma, podemos prever que novo órgão ela produzirá. Vá em frente, Karen. Nossa Muralha está aberta para você.

Friday, January 16, 2009

Que bárbaros são esses?

Bárbaros, para os gregos, eram os que não falavam grego; consta que a etimologia da palavra é meio onomatopaica, referindo-se aos ruídos grosseiros que os bárbaros fariam ao falar. Elevando esta forma de pensar a um expoente máximo, embora criando significados bem mais complexos, Sartre disse que o inferno são os outros. Balbuciadores confusos ou ameaça demoníaca, quem são esses bárbaros que nossa débil muralha pretende deixar do outro lado?
Nenhum dos dois, claro. Apenas queremos aqui retomar a idéia de uma civilização ocidental, mera idealização, óbvio, visto que é idéia. Os bárbaros são os que ameaçam esta civilização idealizada, que, pasmem, tem pouquíssimo a ver com o “Ocidente” de nossos dias. Este foi o sentido que a palavra “bárbaro” adquiriu com o passar do tempo. E, hoje como ontem, eles não estão do outro lado da muralha, estão entre nós. E, geralmente, têm poder de sobra para impor aos homens sua barbárie travestida de modernidade.
A resposta certa é, quase sempre, a mais óbvia. Se as idéias se basearem mais nos fatos que independem da vontade humana e menos nos fatos que a vontade humana nos impõe, estaremos bem perto de acertar. Lembremos antes de tudo que somos corpos animados num mundo cheio de coisas animadas, mesmo que algumas pareçam não ser. Comecemos por respeitar a realidade do mundo: a vida é melhor do que a morte. Tão infantilmente banal, mas tão irretorquivelmente sábio.
Estar do lado da morte não é apenas matar: é tentar sufocar, por razões inconfessáveis, ou pelo menos sempre inconfessadas, tudo o que signifique o prazer de se estar vivo. É querer reduzir a vida a um mecanismo triste e desalentado, que espera apenas por seu fim. É querer reduzir o dom máximo que recebemos, seja dos Deuses, seja do simples acaso, a um sentimento infindável de culpa e maldição. Esta é a barbárie que não admitimos, não importa que roupas ela vista.

Sunday, December 28, 2008

Que eles fiquem do lado de fora

Quando Publius Aelius Traianus Hadrianus subiu ao poder em Roma, em 117, tornando-se o imperador que ficou conhecido simplesmente como Adriano, resolveu dar um basta nas conquistas e organizar o Império, já suficientemente grande. Entre outras providências, construiu fortalezas e muralhas nos pontos mais problemáticos das fronteiras, para garantir a civilização romana e deixar os bárbaros do lado de fora. Hoje, a mais famosa dessas fortificações, cujas ruínas ainda existem entre a Inglaterra e a Escócia, ficou conhecida como Muralha de Adriano. Mas os “bárbaros” se espalharam por toda parte, a “civilização” ainda corre perigo. Os demônios da arrogância, da inveja, da ganância, da hipocrisia ainda operam tenazmente seus planos de impedir a todo custo a existência de uma comunidade humana igualitária e harmoniosa, criativa e feliz. Mas tais demônios são apenas homens. Então guarneçamos nossas muralhas, povoemos nossas defesas, para deixar definitivamente os bárbaros do lado de fora, pois se somos homens como eles podemos vencê-los. A Muralha de Adriano é apenas nosso símbolo. Somos de todas as nacionalidades, de todas as raças, de todos os credos – mas acreditamos acima de tudo que todos os homens podem viver em paz, pois o respeito mútuo é a base da felicidade; ninguém precisa estar acima de ninguém. Que os bárbaros fiquem do lado de fora! – aqui dentro, nós faremos a festa.

Wednesday, October 15, 2008

Primeira mensagem (a de sempre)

Este blogue ainda está sendo construído.
This blog is still under construction.
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